[PT-BR | SongFic] The reason

Isso é uma song fic. É uma estoria original onde me inspirei em uma música.

No caso deste texto, me inspirei na música The reason do Hoobastank. A tradução foi feita por mim.

——————————————————————————————————————–

The reason (Hoobastank)

É uma vista tão convidativa. De fato uma das mais belas que já vi. Aliás, perde apenas para uma… O céu está tão azul, apenas algumas nuvens maculam sua perfeita homogeneidade. O oceano oscilante entre o verde e o azul-marinho reflete o brilho do sol e ofusca por alguns momentos minha visão. O rochedo, metros abaixo dos meus pés, onde o mar beija a costa com ondas fortes e intensas chama-me silenciosa e repetidamente. A brisa acaricia meus cabelos e sinto a maresia invadir minhas narinas. Tudo me convida…

—————————————–

Cheguei na escola relativamente cedo. Estavam todos aflitos, já a mesma tinha sido arrombada pela noite. O mais estranho é que nada fora roubado. E isso tinha cara de ser um feito da minha querida amiga encrenqueira. Por falar nela, estranhei o fato dela ainda não vir se pendurar em mim. Não importava a hora que eu chegasse a escola ela sempre estava lá para se grudar na minha pessoa. Já havia passado do horário, então os diretores e coordenadores resolveram deixar as aulas começarem. Subindo a escada, avistei a janela. Um maravilhoso sol de verão passava por ela e deixava a mostra o vidro ainda quebrado. Ri sozinha. Lembrei do não distante dia em que minha amiga encrenqueira o quebrou num acidente. Ela estava tão enfurecida com o professor que a havia destratado, que num acesso de raiva jogou a mochila no chão e a chutou com toda força. A mochila bateu furiosamente na parede do segundo lance da escada e acidentalmente o tênis, que havia saído de seu pé com o chute, foi certeiro no vidro da janela. Chegando ao segundo piso, vejo que tem uma aglomeração na porta da minha sala. Como boa representante de turma, vou logo saber o que estava acontecendo. Já na sala, pude reconhecer a letra da escrita que estava no quadro. “Foi bom enquanto durou. Agradeço a paciência. Viverei agora com meus queridos entes escamados. Ps: ‘representante’, por favor, verifique sua cadeira.” Era o que estava escrito. Como não reconhecer aquela letra tão bela? Minha amiga podia ser encrenqueira, mas não era burra nem desleixada. No entanto, o que estava escrito me causou preocupação. Apreensiva, fui verificar minha carteira. Lá encontrei um envelope com aquela letra inconfundível da senhorita encrenqueira. E na carta dizia..

“I’m not a perfect person (Não sou uma pessoa perfeita )
There’s many things I wish I didn’t do (Há tantas coisas que gostaria de não ter feito)
But I continue learning ( Mas continuei aprendendo)
I never meant to do those things to you ( Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você)
And so, I have to say before I go ( E então, tenho que dizer antes de partir)
That I just want you to know ( Que eu só quero que você saiba)”

Parei de ler e começei a lembrar. Ela era realmente encrenqueira quando a conheci melhor e lhe dei uma chance. E esses primeiros versos me fizeram recordar algo que preferi banir das minhas memórias. Eu sempre a olhei de longe, sempre. Mesmo ela xingando a tudo e todos, batendo em quem lhe convinha, quebrando patrimônio público e privado, roubando coisas. Mas ela nunca ficava na mesma turma que eu. Naquele ano, ela finalmente estava lá, toda marrenta e carrancuda. Vi nisso minha chance de aproximação. Eu era tão inocente…

“I’ve found a reason for me ( eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be ( para mudar meu jeito de ser)
A reason to start over new ( uma razão para começar de novo)
And the reason is you ( e essa razão é você)”

Continuei lendo. Depois daquele dia, ela nem parecia mais procurar confusão. Demonstrava com afinco que queria mudar. Eu percebi, obviamente. Ficava na dela, nem discutia mais com os professores. Eu agia como se nada tivesse acontecido, nem fazia questão de evitá-la. Eu não entendia, mas mesmo com tudo, eu queria ser amiga dela…

“I’m sorry that I hurt you ( Me desculpe por te magoar)
It’s something I must live with everyday ( é algo com que tenho que viver todos os dias)
And all the pain I put you through ( E toda dor que te fiz passar)
I wish that I could take it all away ( Eu gostaria que pudesse fazê-la ir embora)
And be the one who catches all your tears ( E ser aquele que seca suas lágrimas)
That’s why I need you to hear (isso porque eu preciso que ouça)”

Na primeira oportunidade, chamei-a para parear comigo no trabalho em dupla. Eu sabia que eu faria tudo sozinha, mas só de estar em sua companhia eu estava satisfeita. Marcamos na parte da tarde em minha casa. Uma vez no meu quarto, que tinha tudo que precisávamos para realizar o trabalho, ela olhou tudo atentamente. Sem que eu percebesse, fechou e trancou a porta. Só senti quando ela me agarrou por trás e me jogou na cama. Prendeu-me com força e me beijou forçadamente. No primeiro momento fiquei sem reação. No segundo, tentava me soltar desesperadamente. Quando fiz menção de gritar ela sussurrou “Se gritar eu bato e vai ser pior.” com uma expressão tão perversa e malvada que paralisei de medo. Ela tirou minha blusa e começou a tocar nos meus seios. Comecei a chorar compulsivamente e pedi silenciosamente que parasse. Passou a mão pelo meu corpo e depois o beijou. A cada toque sentia uma repulsa enorme crescendo dentro de mim e me odiava ainda mais por não conseguir soltar qualquer som. Mas o que me deixava realmente com raiva era que meu corpo respondia aos estímulos. Ela não parou. Arrancou minha saia junto com a calcinha. Foi aí que eu realmente estremeci. Não senti vergonha da minha nudez, mas chorei ainda mais. Novamente ela não atendeu ao meu pedido silencioso. Depois de abusar de mim tudo que pode, a vi entrando no banheiro do meu quarto. Estava desfalecida, não conseguia nem levantar da cama. Aquele cansaço traumático me consumiu e eu acabei adormecendo. Quando eu acordei, estava escuro e me encontrava sozinha no quarto. Percebi que meus lençóis me cobriam. Quando tomei coragem, levantei e fui ao espelho olhar meu estado. Eu não tinha uma marca sequer. Se eu desse queixa, seria minha palavra contra a dela. Eu não tinha provas. Decidi que aquilo tinha sido um pesadelo. Fiz o trabalho e no dia seguinte fui até ela como se fossemos boas amigas e lho entreguei dizendo que era pra ela estudar para a apresentação e que qualquer dúvida poderia vir a mim pedir ajuda. Se alguém reparou que algo acontecera, não comentou.

“I’ve found a reason for me ( eu encotrei uma razão para mim)
To change who I used to be ( para mudar meu jeito de ser)
A reason to start over new ( uma razão para começar de novo)
And the reason is you ( e essa razão é você)
And the reason is you ( e essa razão é você)
And the reason is you ( e essa razão é você)
And the reason is you ( e essa razão é você)”

E então, ela mudou. Nunca sequer comentou o ocorrido. Veio a mim com dúvidas e eu as sanei. Os primeiros a perceberem essa mudança foram os professores. Por causa disso, eles começaram a exigir que ela sempre fizesse os trabalhos comigo. Eu ignorava todas as lembranças daquele dia e seguia minha vida. Mas só depois de muitos meses é que tive coragem de chamá-la para voltar lá em casa, e para convidá-la ao meu quarto, mais alguns. Obviamente, remodelei meu quarto inteiro depois daquilo. Nem de longe lembrava o antigo. Com o tempo seu jeito de falar e escrever foi mudando também.

“I’m not a perfect person (Não sou uma pessoa perfeita )
I never meant to do those things to you ( Eu nunca quis fazer aquelas coisas com você)
And so I have to say before I go ( E então, tenho que dizer antes de partir)
That I just want you to know ( Que eu só quero que você saiba)”

Acabamos nos tornando verdadeiramente amigas. Passou um tempo até que ela conseguisse me tocar novamente por livre e espontânea vontade. Eu sentia que toda vez que eu a tocava ela se retraía e estremecia. Eu pensava se não devia ser o contrario. Quando ela percebeu que o ato de me tocar não me incomodava, se tornou meu bichinho ‘agarradinho’. Aquele bonequinho que agarra na sua roupa e não solta por nada. Notei também, que ela se tornara uma pessoa mais afetiva, pelo menos comigo. Sempre vinha com aquelas demonstrações de afeto, um abraço, um beijo na bochecha e na testa, bombons, presentes. Ela realmente deixara de ser aquela garota, de fato, encrenqueira. Mas é claro que acidentes sempre acontecem. O caso da janela, por exemplo…

“I’ve found a reason for me ( eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be ( para mudar meu jeito de ser)
A reason to start over new ( uma razão para começar de novo)
And the reason is you ( e essa razão é você)

I’ve found a reason to show (Eu encontrei uma razão pra mostrar)
A side of me you didn’t know ( um Lado de mim que você não conhecia)
A reason for all that I do ( Uma razão pra tudo que eu faço)
And the reason is you ( e essa razão é você)”

Terminei de ler emocionada. Somando isso mais o que estava escrito no quadro, cheguei a uma fatídica conclusão. Uma rápida lembrança de um passeio me veio à mente. Há um tempo, numa visita ao mirante da cidade ela comentou algo sobre ir de encontro às rochas de forma tão melancólica. A ficha caiu e eu saí dali correndo. Precisava pará-la antes que fizesse a maior burrada de sua vida. A escola não era longe do mirante, mas corri tão rápido que cheguei lá em cinco minutos. Completamente ofegante, encontrei-a naquele ponto mais alto, olhando para baixo. “Não!” gritei chegando lá. Ela se virou espantada. “Era para você estar na aula.” ela falou com voz trêmula. Se aproximou da beirada “Por favor, não me impeça!”. “Por quê?” perguntei e olhei para o papel na minha mão, “Isso aqui não explica o porquê.”. Lágrimas silenciosas rolaram de seus olhos. “Eu não quero te machucar de novo! Não consigo mais me controlar!” gritou meio desesperada. “É tão forte isso que você está sentindo?” perguntei calmamente chegando mais perto. “Sim, mais do que eu esperava, mais do que eu imaginava, mais do que já senti em toda minha vida.” respondeu lentamente fechando os olhos. Foi a minha deixa para a aproximação completa. “Então por que não pede ao invés de vir me atacando como da última vez?” ela abre os olhos e me vê cara a cara. Sem ao menos dar chance pra resposta, a beijo com todo meu sentimento contido por todos esses anos. Ela fica surpresa e corresponde com toda intensidade e desejo que possuía por mim. Ainda nos beijando e sem que ela percebesse, a afastei da beirada do mirante e a levei para o centro, onde não havia risco dela cair. “Agora, só não pula, se não aí é que não vou te perdoar mesmo.” disse com carinho. Ela me olhou ternamente com aqueles profundos olhos azuis e sorriu. Voltamos a nos beijar e ficamos ali no meio do mirante até o sol ficar insuportavelmente quente.

 Fim

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s