[PT-BR] A tatuagem | Parte 2

Aqui está a parte 2 o/

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Cap 2

Quase três anos se passaram depois que Pamela fizera sua tatuagem. Depois de todo este tempo, ninguém mais queria vê-la. Não era novidade, apenas para alunos novos. Mas todos ficaram surpresos com o tamanho da imagem, de novo. Só que dessa vez viram algo diferente nela, apesar de não ter sofrido modificações. E isso foi em uma excursão que a escola fez ao parque aquático.
– Pamela! Sua tattoo tá diferente! – Disse uma amiga no vestiário, enquanto trocavam de roupa para aproveitar o dia.
– Está? Eu não fiz nada de novo. – Respondeu Pam com indiferença. – Por quê?
– Por que está igualzinha a Lara Partner! – Respondeu outra garota.
– Quem é essa? – Pam ficou curiosa.
– Você não conhece?! – Todas ficaram espantadas. Pamela afirmou balançando a cabeça. – Ela é a cantora mais irada, linda e perfeita de todos os tempos! – E todas ficaram eriçadas.
– Hm… Nunca ouvi falar. Qual o estilo dela?
– Cantora pop. Você precisa ouvir-la cantando! – Disse outra garota.
– Pop!? To fora. – Deu um sorriso junto com uma piscadela. – Não escuto pop nem sob tortura!
– Ainda não entendo seu ódio por pop. – Disse outra garota. E as outras concordaram.
– Aninha do meu coração, você sabe muito bem por que. – Respondeu se virando para a jovem. Ana fez cara de confusa, mas se esclareceu assim que Pam apontou discretamente para a tatuagem. Ana era uma das amigas da escola de Pamela, e sabia de toda a estória envolvendo a tattoo.
– Affe! Isso não é motivo. Mas, não vamos discutir agora. Vamos nos divertir! – Pam soltou um risinho frouxo e voltou a se trocar.
– Pam! Eu to reconhecendo essa letra! – Disse uma garota num estalo, apontando para a tatuagem de Pamela.
– Que foi agora, Gabi? – Pam estava começando a se estressar.
– A letra da sua tattoo é igual a letra da tatuagem da Lara Partner! – Respondeu Gabrielle, que também era uma das amigas de Pam e fan da tal cantora pop.
– Hm… Nunca pensei que uma cantora pop, que provavelmente deve ser uma patricinha, fosse ter uma tatuagem. – Disse pensativa. Mas o motivo da súbita seriedade era que aquela era sua letra.
– Tem sim! É muito maneira, mas nós nunca a vimos completa.
– Por quê?
– Porque a calça fica em cima, e ela se nega a mostrá-la. Mas é linda! É assim, Tem uma letra “L”, nós sabemos que tem outra letra, só não sabemos qual é, e tem uma fita vermelha circulando e conectando as letras.
– Que legal… Parece bonita mesmo… – Falou tentando se lembrar onde vira uma tattoo assim. – Bom, eu já terminei. Estou saindo.
– Nós vamos com você! – Manifestaram-se Ana e Gabrielle. E as três saíram do vestiário. Ao ver dois rapazes sentados num banco próximo à saída do vestiário, Pamela correu em direção a eles.
– Lipeeee! – Ao abraçar o rapaz deu um animado beijo em sua boca. – Que bom que veio!
– Claro! Ia deixar de ver minha namorada de biquíni? – Abriu um grande sorriso. Ana e Gabrielle chegaram. – Ah, gente, este aqui é o meu amigo da faculdade, Andersom.
– Muito prazer, Ana.
– Prazer, Gabrielle.
– Prazer, meninas. – Andersom era alto, ruivo dos olhos verdes e bonito. E pareceu ligeiramente interessando em Gabi. As outras garotas que estavam no vestiário apareceram.
– E aí, pessoal!
– Olá!
– Bonito nome, parece nome de personagem de seriado de TV. – Disse Andersom a Gabrielle, enquanto todos conversavam.
– Obrigada. – Agradeceu sorrindo. – Poucas pessoas me dizem isso. Ninguém percebeu uma garota alta se aproximando.
– Gabiii! Minha loura querida! Desculpe a demora. – Disse uma morena de olhos azuis, abraçando e dando um beijo no pescoço de Gabrielle. Que, não só aceitou o carinho, como se virou para dar um beijo na bochecha da mais alta.
– Nossa! – O rapaz pareceu assustado com o ato da recém-chegada. – Quem é você? Xena?
– Não. Mas pode me chamar de Millena. – Respondeu sorrindo, ainda abraçada a Gabrielle.
– …
– Miii!!! Até que enfim! Só estava faltando você! – Exclamou Pam de repente.
– Desculpe, o povo da minha sala é todo enrolado. – Explicou Millena. Ela estudava em uma sala diferente de Pamela, Ana e Gabrielle.
– Gente! – Uma garota da outra sala apareceu pedindo atenção. – Sabe quem eu ouvi que está no parque hoje?
– Quem? – Perguntaram em coro algumas garotas.
– Desembucha mulher! – Reforçou Pam.
– Lara Partner! – E soltou um gritinho fino e frenético, depois as outras garotas a acompanharam. Exceto Pamela, que soltou um suspiro, Felipe, que se perguntou quem seria a tal garota, e Andersom, que fingiu não saber quem era, mas gostava da cantora. – Vamos organizar uma busca por ela e pedir uns autógrafos?!
– Sim! – E as animadas garotas saíram em busca de sua artista preferida, restando apenas Pamela e Felipe, Gabrielle e Millena, e Ana e Andersom.
– Essas meninas… – Suspirou Pam.
– Ah… Acho que vou indo também. – Disse Ana.
– Por quê? – Perguntou Felipe.
– Só tem casal! Não estou afim de “segurar vela” hoje. Desculpa aí, amigo do Felipe….Andersom.
– Tudo bem. – Disse Andersom, mas internamente se perguntava “Só casal?”
– Não vai, não. – Insistiu Gabi.
– Já sei! Eu te faço companhia. – Sugeriu Andersom.
– Tá bom.
– Agora temos três casais! – Falou Millena animadamente.
Os seis andaram juntos o dia todo. Tinha cada brinquedo legal no parque aquático. Um tobo-água fehado de não sei quantos metros. A famosa Correnteza, para se descansar depois do almoço. Tinha até teleférico para subir o morro. Uma piscina de ondas, parecia uma praia e era muito funda. Com tanta água a vista, claro que uma hora alguém ficaria com vontade de ir ao banheiro. E não deu outra, Pam ficara desesperada por um banheiro. Todos a acompanharam até a porta, mas só Pamela entrou. Assim que avistara os reservados, meia dúzia de garotas passou por ela, choramingando.
– Poxa, pensei que encontraria a Lara Partner aqui.
– Pois é, eu ouvi dizer que viram ela entrando aqui, mas acho que era mentira. – Assim o grupo se foi, deixado Pam sozinha, ou pelo menos era nisso que ela acreditava.
– Uffa! Tô com pena dessa tal de Lara Partner. – Antes de entrar num reservado, ouviu uma voz.
– Elas já foram? – Perguntou a desconhecida. Pam achou que conhecia a tal voz de algum lugar, mas decidiu não pensar nisso, já que sua bexiga estava quase estourando.
– Já. – Respondeu impaciente. Entrou no reservado.
– Por que tem tantos jovens hoje? – Falou a voz mais aliviada.
– Hoje é dia de excursões escolares, por isso tem tantos fans seus. Você é a Lara Partner, Certo? – Respondeu e perguntou Pam, aliviando a bexiga.
– Sim… – Assim que Lara ouvira seu nome vindo da boca de Pam, se derreteu internamente. Ela não acreditava que fosse encontrá-la num parque aquático. – Hm… De onde você é?
– Sou do Colégio de Interação Silverstein. Fica numa cidade do litoral. – Respondeu sem pensar muito, mas não quis dizer o nome da cidade. Pam não percebeu com quem realmente estava falando.
– Sei… Boa diversão, estou indo. – E Pam escutou o som da porta se fechando e depois de alguns gritinhos femininos.
– Obrigada… Eu heim, eu sabia que essa Lara Partner não devia bater bem da bola… – Esta última frase fora quase um pensamento. Pamela não reconhecera a pessoa com quem acabara de falar, só a voz não fora suficiente. Talvez se tivessem se visto, teriam se reconhecido. Talvez, não, já que Pamela mudara muito nos últimos anos, mas Lara não mudara nada, apenas parecia mais madura.
Ao sair do banheiro, Pam foi premiada com uma chuva de perguntas sobre Lara Partner, já que a mesma fora vista saindo do recinto alguns minutos após ela ter entrado. Depois do repentino encontro as escuras, o dia terminou sem muitas surpresas. Pam se despediu do namorado e entrou no ônibus. Foi sentar-se com Ana, já que Millena e Gabrielle estavam aproveitando o escuro do ônibus para matar a saudade aos beijos e amassos sem que fossem observadas.

Algumas semanas haviam se passado desde a excursão ao parque aquático. Era uma manhã como outra qualquer no Colégio de Interação Silverstein, e Pam estava animada para a aula de biologia, estava interessada pela famosa genética. Ela conversava empolgada com Ana antes do primeiro sinal tocar. Ana estava sentada no banco ao fim do corredor que dá de frente para o portão, e Pamela estava a sua frente, em pé, gesticulando sua própria reação quando Juliana lhe contara que estava grávida de Rox, seu marido. Quando Ana arregalou os olhos e parou de rir da amiga.
– Ana, querida, o que foi? – Perguntou Pam percebendo a mudança da amiga.
– Hm, como era mesmo o nome da garota que você tatuou aí na barriga? – Ana estava meio rouca.
– Ehrm… Lara “alguma-coisa” Montagu. Acho que é isso, mas não consigo lembrar o nome do meio… Por quê? – Pam não reparou que as suas costas uma multidão de alunos se juntava.
– E se eu te dissesse que ela acabou de passar pelo portão da nossa escola? – Disse Ana num tom de resposta.
– O quê? – Pamela virou-se bruscamente, mas não conseguiu ver muito devido a grande quantidade de pessoas em volta da ‘pessoa misteriosa’, a que ela queria conferir se era ‘sua’ Lara. Instintivamente, Pam subiu no banco para ver quem era a pessoa que atraiu multidões. E, por fim, avistou a loura que roubara seu coração há anos atrás. Este veio parar na garganta. Desde quando ela se tornara tão famosa? – Que diabos tá acontecendo?!
– Ai, Pam, desculpa. Desculpa por não ter te falado, mas você disse que não queria mais saber dela, por que ela nunca mais ia aparecer na sua vida. Nós descobrimos que ‘ela’ é a famosa cantora Lara Partner. Sabe como é, fans tem a estranha mania de procurar todas as informações possíveis sobre seus ídolos. Primeiro foi o rosto, que era igualzinho, depois o nome, aí tudo ficou claro. Desculpe. – Explicou-se rapidamente.
– Tu…Tudo bem… – Disse Pam sentando, atônita. Era verdade, ela disse que nunca mais queria saber de Lara. Primeiro, não era prático, segundo, agora ela estava com Felipe, seu namorado mais que gostoso, o cara que ela era a muito tempo afim. Ela o adorava, mas sempre que o beijava sentia que tinha algo faltando, era inexplicável. Resolveu que iria ignorar Lara se ela não a reconhecesse. O sinal tocou, obrigando a todos a ir para suas respectivas filas. Lara passou por ela e não a reconheceu. Pamela pensou que ela estivesse distraída, então resolveu dar uma segunda chance. Seria na hora do intervalo.
Depois do alvoroço, a turma de Pam prestava atenção na explicação professor de biologia sobre genes predominantes e recessivos. Até que batem a porta. Era a coordenadora pedagógica da escola, mais conhecida como ‘bruxa do 71’, sem ela saber,claro(Sim, Chaves serve pra isso, de vez em quando). Ao entrar na sala, uma garota de longos cabelos louros entrou atrás. Pam e todos arregalaram os olhos, não podiam acreditar que sua sala seria a mesma da Lara Partner. Foi a melhor notícia que a “71” trouxe em todos os anos. Apresentações feitas, Lara foi sentar-se ao lado de Pam, que sentava na última carteira. E, novamente, não reconhecera Pamela, que desistiu.
– Psiu! – Chamou um garoto. – Lara!
– Sim? – Lara virou-se para o rapaz com o sorriso de sempre, o que fez o estomago de Pam se revirar.
– Sabia que ela tem uma tattoo que é a sua cara? – Disse ele apontando para Pam.
– É mesmo? – Não parecera espantada. – Posso ver? – Perguntou a Pam.
– Não. – Pamela fora curta e grossa.
– Por quê?
– Por que não. – E Pam virou-se para prestar atenção na aula, ou pelo menos tentar.
Na aula de inglês, Pamela descobriu que não estava com sorte naquele dia.
– Pamela. – Chamou a professora.
– Sim!
– Faça dupla com a senhorita Lara hoje.
– Certo! – “Mas que droga! Essa professora não entende nada mesmo.” Lara achou a voz de Pam conhecida, mas não reconheceu sua dona. Talvez ela achasse que fosse encontrar Pamela do jeito que deixara alguns anos antes, mas aquela Pamela com quem fazia dupla era diferente, apenas lembrava a ‘sua’ Pam, Já que a ‘sua’ Pam possuía longos cabelos pretos ondulados e não tinha piercings pelo rosto, e essa Pam com quem fazia o trabalho tinha cabelos curtos igualmente ondulados e possuía um piercing na sobrancelha esquerda e no nariz, as orelhas tinham mais que dois furos e um piercing na cartilagem oposta ao lado da sobrancelha. Mas a maldita tatuagem a deixara curiosa e ela não queria deixá-la ver.
Por terem terminado o trabalho primeiro e por ser inglês a ultima aula, Lara e Pam foram liberadas. Não havia ninguém no pátio ainda.
– Pam, hm… posso te chamar assim? – Disse Lara repentinamente.
– …Pode…
– Leva-me para almoçar contigo? – Pediu Lara, com aquela mesma expressão do dia em que foram até o lado escuro da praia. Pamela não resistiu.
– …Tudo bem…
– Oba! – Ao expressar sua alegria, agarrou o braço de Pam e saíram pelo portão. – Guie-me direitinho, está bem?
– … – Pam apenas balançou a cabeça desanimada. Em casa, todos ficaram surpresos com a visita. Lara se viu numa casa aconchegante, e simples. A mãe da Pam tinha uma loja, onde passava a maior parte do tempo e o pai era marinheiro aposentado e professor de biologia. Talvez por isso Pam gostasse tanto da matéria. No final da tarde, quando todos estavam reunidos novamente na sala, Lara anunciou, com um sorriso no rosto, que pareceu malicioso a Pam:
– Já decidi! Vou hospedar-me na casa de vocês!

Cap 2 – Fim


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